A SOMBRA (Pitty)





A Sombra

PITTY

Pra quê dissimular?
Se ela me segue aonde quer que eu vá?
Melhor encarar e aprender com ela a caminhar
Não vou mais negar, por todo caminho, minha sombra está
Eu quero saber me querer
Com toda a beleza e abominação que há em mim
Isso nunca se desfaz
Enquanto há desejo, não há paz
Isso nunca se desfaz
Enquanto há desejo não há paz
Eu quero saber me querer
Com toda a beleza e abominação que há em mim
Eu quero saber me querer
Com toda a beleza e abominação
Que há em mim


Uma letra extraordinária, falando de verdades profundas da condição humana. Essa compositora baiana está escrevendo o seu nome na história da música popular brasileira trazendo reflexões importantíssimas em torno de questões psicossociais e, por que não, psicossomáticas?

Nesta letra: "A sombra", Pitty não apenas demonstra um profundo conhecimento deste arquétipo junguiano, como revela seu comportamento. Explica a importância de olharmos para a própria sombra, ou seja, voltarmos a consciência para a realidade do nosso mundo interior, sem medo, com respeito, entendendo que não devemos negá-la ou, como diz a letra, dissimular, pois, onde quer que possamos estar, ela estará conosco.

"Melhor encarar, e aprender com ela a caminhar". Vejam, que lucidez de análise deste fenômeno ontológico. É claro que devemos encará-la, pois, ela pode nos ensinar, sim, a caminhar em busca da nossa individuação. Jung preconizava que é melhor ser inteiro do que ser bom, muito bem, para sermos inteiros, não podemos negar a própria sombra que é uma parte substancial do nosso ser, é preciso nos integrar ao inconsciente, sentir e trabalhar todas as manifestações que surgem no âmago do nosso ser. 

Esse processo está representado nas fábulas dos grandes heróis, quando eles precisam enfrentar dragões, monstros, minotauros, medusas, etc., para cumprirem uma missão de extrema importância. Cada combate empreendido por esse guerreiro, com a sua respectiva vitória, significa uma expansão da consciência, pois estes inimigos não são nada mais do que a representação da própria sombra. Vejam que há sempre um reino, uma princesa ou um pote de ouro que ele terá como recompensa no final da saga, mostrando que o caminho da evolução passa pelo enfrentamento de nossas mazelas mais íntimas.

Essa baiana "arretada", ainda explica: "Enquanto há desejo, não há paz". Outra síntese maravilhosa da realidade humana, não podemos viver escravizados pelos desejos inconsequentes que temos sem identificar suas causas. O desejo promana da sombra, dos recônditos de nosso ser, do inconsciente que se expressa abruptamente diante das ocorrências cotianas. Traz consigo muito desconforto e angústia, pois, jamais poderá ser satisfeito, pois não é esse o objetivo desta comunicação que recebemos de nossa alma, na realidade, os desejos estão sinalizando uma demanda por conscientização, querem ser integrados à consciência.

Trata-se de uma letra inspirada pelo alto com grandes ensinamentos para aqueles que buscam o autoconhecimento.




Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br


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