A iluminação de Zaqueu



Jesus entrou em Jericó e pediu para Zaqueu descer da árvore.

Jesus representa nessa estória a própria iluminação, Zaqueu está representando o ego e Jericó é o nosso mundo interior.

Zaqueu tem uma pequena estatura, não consegue enxergar Jesus, por isso se eleva. É justamente assim que o ego se comporta, busca a inflação, a elevação, tenta ser maior do que a própria iluminação que está presente no seu território, como um anjo caído competindo com Deus.

Jesus manda Zaqueu descer, assim como, o Universo trabalha para diminuirmos o nosso tamanho para podermos conhecer a nossa verdadeira natureza. Somos compelidos pelo sofrimento e pela dor a descermos do sicômoro e olharmos para essa essência crística presente em nosso ser.

A Consciência Pura, Iluminada, representada por Jesus, é o nosso estado natural, no entanto, estamos identificados com Zaqueu, o ego. Vivemos de forma artificial, em um mundo de ilusões, cheios de orgulho e vaidade.

O ego tem uma pequena estatura, como Zaqueu, não consegue enxergar Jesus, justamente por viver cercado por desejos e necessidades e sonhando com a realização. Ele é detestado por todos, tratado como um pecador, pois age, de fato, como um publicano, mafioso, fiscal corrupto, extraindo riquezas e energias de todo o povo de Jericó - o nosso mundo interior.

É justamente na casa de Zaqueu que Jesus pretende se hospedar, pois é justamente esse o objetivo da iluminação. A lanterna não pode ser colocada embaixo da cama, é preciso que seja colocada em um lugar alto para iluminar toda a casa, mas Zaqueu a deixou encoberta com as suas escolhas.

O ego não tem interesse na luz, pelo contrário, ele quer ser a própria luz. A nota triste é que ele não percebe que tudo aquilo que ele quer ser ele já é.

Jesus sempre esteve e sempre estará em Jericó, a espera de uma gesto de Zaqueu, pois ele precisa hospedá-lo.

Quando Jesus entrar na casa de Zaqueu, a iluminação irá acontecer. Percebam quantas reflexões profundas podemos fazer observando um simples evento das escrituras.

Na estória encontrada no Evangelho de Lucas tudo parece claro: um homem chega em uma cidade, é cercado por várias pessoas, o chefe dos publicanos não consegue vê-lo, sobe em uma árvore e esse estrangeiro que visita a cidade pede que ele desça para que possa hospedar-se em sua casa.

Lido desta forma, o texto não revela grandes ensinamentos, no entanto, é necessário buscar aquilo que está além da letra morta da narrativa, como em todos os textos sagrados das mais variadas civilizações, é preciso buscar a essencia.

A luta de Buda contra as filhas de Mara, o diálogo de Krishna com Arjuna, entre tantos outros escritos, representam, portanto, muito mais do que relatos históricos e é isso que as religiões precisam ensinar, ao invés de insistir na manutenção da ignorância.

"Pois nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia" Mc 4:22.




Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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