A verdadeira felicidade, onde está?




A verdadeira felicidade não é deste mundo, desista de procurá-la. Só posso dizer que sinto muito, mas não poderia escrever mais um artigo propondo receitas mágicas que pudessem ajudá-lo nessa busca. Você sonha com ela e quer encontrá-la, mas para encontrar algo é preciso buscar, o problema é que e as nossas buscas são motivadas por desejos e são justamente esses desejos nossos maiores obstáculos. São eles que nos impedem de alcançarmos a verdadeira felicidade. Cada desejo alcançado nos dá prazer e nos oferece uma ideia falsa de realização; o que não percebemos é que esse prazer é apenas um entorpecente de efeito rápido e que, uma vez satisfeitos, a mesma angústia e o mesmo vazio que nos perseguiam, voltam à espreita, portanto, vivemos em uma gangorra entre a dor e o prazer, entendendo que ser feliz é ficar o máximo de tempo possível na extremidade prazerosa da existência. 

Se você busca atenuantes, lenitivos, bálsamos, etc. não é necessário muito esforço para encontrá-los; em nenhum momento da história, tantas alternativas terapêuticas estiveram à disposição da humanidade como nos tempos atuais, mas lembre-se, tratamento não é cura. A cura se processa através de mudanças provocadas pelo amadurecimento e só estaremos livres das injunções problemáticas da existência quando nos libertarmos das correntes de conceitos, valores e crenças que criaram em nós programações de toda espécie. Enquanto estivermos identificados com esse programa, estaremos vivendo somente na realidade ‘corpo-mente’.

Entenda que a iluminação é o seu estado natural. Por que buscar algo que você já tem? Por que tentar ser algo que você já é? Perceba que enquanto existir o combustível do desejo, criando necessidades fictícias, você estará preso em um mundo de ilusões, conduzido por condicionamentos infindáveis, portanto, não se trata de buscar nada, pelo contrário, é necessário esvaziar-se e conhecer-se profundamente para acordar e perceber que você já tem tudo o que precisa para ser feliz, apenas desconhece. Não existe, portanto, pessoa iluminada. Só será possível iluminar-se quando a ‘pessoa’ deixar de existir. Você tenta realizar um personagem, criando identificações cada vez mais profundas com ele e não percebe o tamanho do equívoco que há nisso. “Quem tentar salvar a sua vida irá perdê-la” Mc 8:35. 

A iluminação é o seu estado natural, o samadhi é o seu estado natural, pois você é divino. Buda costumava dizer aos seus discípulos: “A diferença entre vocês e eu é que eu sei que sou Buda e vocês ainda não sabem”. 

Nós não sabemos, ainda, que somos perfeitos, que a perfeição está aqui e agora, na fonte nosso ser; vivemos uma busca vã, atrás de um pássaro azul da felicidade que imaginamos viver em alguma parte do planeta, quando, na verdade, ele vive, o tempo todo, cantando em nosso Reino Interior, portanto, não se trata de ajuntar, buscar ou conquistar nada, mas de livrar-se de tudo aquilo que é desnecessário.

Sei que para muitos esse discurso é absurdo, afinal, como viver um vida sem ambição? Como viver uma vida sem desejos? São escolhas, e elas só poderão ser feitas quando você estiver pronto. Você pode continuar buscando, desejando, lutando e se esforçando para ser o mais feliz possível neste mundo, isso será sempre louvável, mas acreditar que encontrará a verdadeira felicidade seguindo essa trilha é outra coisa. A felicidade verdadeira está na contramão de tudo isso, só poderá ser alcançada através da renúncia, do desapego e do esvaziamento de tudo aquilo que você acumulou nessa pretensa ‘realidade’. A necessidade de viver em busca de algo para preenchê-lo surge, justamente, do fato de você desconhecer sua própria natureza, não entender que é pleno, pronto e perfeito e isso o leva a tentar preencher com coisas aquilo que precisa ser preenchido com consciência.



Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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