sexta-feira, 19 de julho de 2019

Além do Certo e Errado


"Para além das ideias de certo e errado, existe um campo.
Eu me encontrarei com você lá."
                                                                                  Rumi

O poeta persa Rumi fala que só é possível nos encontrarmos com a realidade quando irmos além desse sistema que nos aprisiona: o sistema dualista de ‘certo’ e ‘errado’. Enquanto permanecermos presos às regras, conceitos, valores, normas e toda uma infinidade de verdades úteis, mas transitórias, que nos direcionam, estaremos presos em um mundo dual, desenvolvendo uma perspectiva egocentrada, sendo obrigados a fazer escolhas, emitir julgamentos e realizar um personagem que não é real.

Envolvidos pelo encantamento dessa realidade, encontramos dificuldades em nos comunicarmos, pois os parâmetros internos, de cada ser humano, são absolutamente distintos. Isso nos leva a buscarmos, sem perceber, apenas o convívio daqueles com quem temos afinidade e refutarmos a companhia dos que não temos a simpatia.

Para sobrevivermos nesse ambiente dualista, somos obrigados, constantemente a emitirmos julgamentos e constrangidos a fazermos escolhas. Cada ação nossa, portanto, terá que ser deliberada e nessa deliberação teremos que acionar todo um material acumulado ao longo de nossa existência, ou seja, agiremos de acordo com a nosso nível de maturidade emocional, psíquica, intelectual etc..

O ato de julgar, o que quer que seja, parte de uma premissa equivocada, pois é motivado por preconceitos, ou seja, todas as nossas avaliações serão, sempre, contaminadas por crenças e valores, por isso, podemos inferir que não exista uma só pessoa no mundo que não seja preconceituosa.

Trazemos, portanto, dentro do nosso programa emocional, todo um acervo de normas e modelos que respondem pela particularidade do nosso caráter. São eles os responsáveis pelos construtos desse mundo dualista e conflituoso em que estamos inseridos.

Esses arquivos que estruturam nosso programa interno, foram desenvolvidos pelas experiências da vida, pelo contato com as tradições, culturas, religiões, filosofias, mídias etc., considerando que as figuras parentais sejam, talvez, as mais proeminentes nesse processo de formatação da personalidade.

Para sairmos da armadilha do certo e errado, teríamos que dar alguns passos para trás, olhar o acontecimento dentro de uma visão sistêmica e tentar compreender a lógica por detrás do fenômeno. Quando aplicarmos algumas regras da lógica universal, iremos perceber que não existe o mal, que não existem vítimas, que não existem algozes, tudo se encaixa dentro de jogo cósmico, cada ser é parte de uma sinfonia, executando seu instrumento.

O homem ainda está distante de entender que tudo está certo. Como poderia compreender o que são as cores de um arco-íris sendo cego? Como poderia entender o que é a liberdade se nasceu, cresceu e sobrevive dentro de uma prisão? A natureza não dá saltos e para a grande maioria dos que estão lendo esse texto, minhas colocações serão consideradas absurdas, mas não sou o único, na verdade, essas mesma visão se espalha pelo mundo como um convite a mudança. Está na hora de percebermos que as portas da prisão estão abertas, basta sairmos.

“Pois nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia (Mc 4:12)”.





Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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