sexta-feira, 19 de julho de 2019

Amai os vossos inimigos!



As pessoas mais importantes em nossas vidas são os nossos inimigos. 
Eles são importantes por ajudarem a expor as nossas fragilidades, pois é através desse convívio que percebemos os nossos pontos fracos, que reconhecemos as nossas dificuldades.

Aqueles que nos afetam são justamente os que nos convidam de forma forçada a nos autoconhecermos, percebermos o quanto somos problemáticos, o quanto nos falta de resiliência e principalmente: o quanto temos que evoluir.

Não há outro meio de nos melhorarmos sem sermos provocados pelos obstáculos da convivência com pessoas, especialmente com aqueles que não temos a menor afinidade. 

O convívio com o outro é o grande desafio da existência, pois nossa vaidade, nosso orgulho, nossa impaciência, enfim, todos os nossos vícios mentais ficam evidentes quando somos contrariados, quando encontramos indivíduos que não correspondam às nossas expectativas ou que não se ajustem aos nossos padrões internos. Isso nos deixa irritados, revoltados, deprimidos, magoados, enfim, atingidos emocionalmente. Tudo isso apenas revela as nossas vulnerabilidades. 

Nossa estrutura psíquica, adornada com condicionamentos negativos precisa ser ajustada e a Natureza trata de criar as condições para isso, por isso, como ensina um Mestre Galileu: “Os inimigos do homem serão aqueles da sua própria casa”. 

As primeiras atitudes que tomamos diante dos nossos desafetos, justamente por não entendermos a lógica Universal, é nos afastarmos, tratá-los com repúdio ou reagirmos de forma negativa. Nossa falta de recursos emocionais nos tornam frágeis e manipuláveis. Só há uma forma de viver no mundo sem ser afetado pelo outro e apenas aqueles que alcançaram um grau elevado de consciência podem compreender a eficácia dela: basta tirarmos a importância de todas as informações que vêm de fora, sejam elas quais forem.

Existe uma Lei Natural que nos obriga a vivermos em sociedade, convivendo com toda uma diversidade de crenças, comportamentos, modelos e tipos psicológicos, portanto, se não podemos ajustar o mundo que nos rodeia para que possamos estar confortáveis, podemos sim, trabalhar a humildade, a confiança, a alegria de viver, a coragem de enfrentar o desconforto, a perseverança, a serenidade e o desapego; desta forma não mudamos mundo, mas mudamos a nós mesmos.

É preciso aprender a apertar a tecla “dane-se”, perdoar as ofensas, compreender as limitações do outro, respeitar as diferentes perspectivas que se apresentam, pois o inferno não são os outros. O inferno, diferente do que disse o filósofo Jean Paul Sartre, somos nós. Nós é quem transformamos as informações externas em algo problemático, justamente por sermos os únicos responsáveis pela forma com que qualificamos a experiência. 

Tudo aquilo que você problematiza irá persistir em seu campo psíquico como um registro indigesto, carregado de significado e importância. Acredite, o que você estiver imantando de carga afetiva irá permanecer como um fardo a que ser carregado e posteriormente aliviado.

É preciso deixar de dar importância pra vida, por incrível que pareça, a seriedade que empregamos no convívio social é um tremendo equívoco, pois a vida não deve ser levada a sério. A vida já é tudo aquilo que precisa ser: eterna, perfeita, indestrutível, incontaminável ou como nos ensinam as antigas tradições orientais, a Vida é Sat-chit-ananda.

“Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem…” Lembram destas sábia palavras?




Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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