Aprendendo a voar



Autor Paulo Tavarez - paulo.tavarez@cellena.com.br

Você quer fazer parte do mundo? Ok, mas entenda que dificilmente você será aceito sendo você mesmo. Eles vão exigir que você mude e esqueça a sua verdadeira natureza, só assim você será aprovado. 

Sem contar que você não poderá mais expressar a sua vontade; terá que  usar máscaras, seguir regras, vestir uniformes, falar, pensar e agir como eles; ser como eles. 

Eles não vão aceitar alguém diferente não! Isso está fora de questão. É preciso ser igual.

Se é mesmo ísso que você quer, esteja preparado, pois eles vão colocá-lo em uma linha de montagem de conceitos e normas que o transformará em um robô. Todos os seus movimentos serão programados e todas as suas escolhas serão influenciadas pelos padrões externos. Você não poderá mais seguir o coração, nada disso, agora você está em um presídio construído pela razão. 

Você deixará de existir para dar lugar a um personagem, essa é a triste verdade que se impõe a todos aqueles que se preocupam em pertencer. Somos todos, pura e simplemente, atores, estamos, cada um de nós, interpretando um papel que nos foi imposto e esse é o sentido da vida que escolhemos viver.

Pepare-se, pois você não terá mais poder sobre si mesmo. Todo o seu poder estará na mão dos outros, pois todos os olhos estarão voltados para você. Todos os seus movimentos serão monitorados até que você esteja perfeitamente ajustado ao sistema; só assim você será respeitado. 

Essa é a dinâmica da servidão humana, espero que um dia você se pergunte: por que entregou-se tão facilmente à essa ilusão? 
Talvez tenha acreditado que a vida nessa prisão pudesse ser muito melhor do que a vida real, ou talvez nunca tenha percebido que estava no caminho errado. 

A porta da saída, meu caro, é uma reconciliação profunda com própria alma. Você precisa aceitar-se como é, amar-se incondicionalmente, pois você é único e isso não é pouco. Viver de pires na mão em busca de afeto, carinho, respeito e admiração é o mesmo mendigar às portas de um castelo suntuoso sem perceber que você é o dono deste castelo.
Viver em busca de estereótipos, imitando modelos externos, agindo feito um papagaio, repetindo padrões, tudo isso é muito triste. Você é muito mais do que isso.

Seja você mesmo, seja lá o que isso queira representar, mas não caia na armadilha de seguir o rebanho. Quem pode garantir que não estão todos seguindo, como ratos, um tocador de flautas qualquer? 

No conto do Flautista de Hamelin, os ratos são conduzidos para o rio, a fim de morrerem afogados. É isso que você quer para si?

Você suprimiu o seu lado dionisíaco e vive de forma apolínea, preocupado com formas perfeitas, acreditando que esse é o caminho... 

Insensato! Todo o seu poder vinha de lá, pois seu coração está lá. A vida não precisa ser construída apenas de neocórtex, é preciso voltar a sentir, amar, soltar-se no vazio, enfrentar o ridículo, só assim você irá aprender a voar.
Volte pra casa, sente-se no trono do seu próprio ser, e dane-se o mundo, que eu não me chamo Raimundo. 
Se chamasse seria apenas uma rima, mas não seria a solução.

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