Deixando de querer explicar tudo



Imaginem um marceneiro construindo uma cadeira. Reforçando, lixando, ajustando todos os detalhes para que ela possa atender às funções para as quais está destinada. Uma vez construída, será colocada dentro de um ambiente apropriado, protegida da chuva, do calor excessivo, enfim, sob os cuidados do dono (ninguém faz um móvel desses para jogá-lo dentro da piscina, por exemplo).
A cadeira foi fruto de uma ação inteligente, está submetida a leis que não pode transgredir, vive dentro de uma realidade que desconhece, percebe que existem mudanças em sua estrutura atômica todas as vezes que alguem senta-se nela, todas as vezes que abrem uma janela e o sol incide em seu corpo, mas tem a proteção do seu construtor - aquele que resolve transformá-la em algo útil e portanto cuida dela - assim, vive dentro dos limites da própria insignificância.

Traçando um paralelo, vamos chamar o marceneiro de Deus e a cadeira de homem. Seria possível para essa cadeira (homem) conhecer e explicar aquele que a criou, o marceneiro (Deus)? Claro que não! Porquê? Por lhe faltam inúmeras faculdades que ainda não possui, simplesmente isso. Na sua condição de cadeira teria que ter uma consciência que não tem, enxergar o que não enxerga, raciocinar o que não raciocina e assim por diante. 

É justamente isso que acontece com a humanidade hoje. Ao invés de buscar o próprio desenvolvimento, livrar-se dos empecilhos negativos, resolver as pendências emocionais, livrar-se de sua sombra individual e alcançar uma condição de lucidez mais expressiva para ajustar-se ao imperativos do Universo que está constantemente promovendo a sua evolução, insiste e quer de forma absolutamente arrogante explicar Deus. 

O apóstolo João, em um arroubo de lucidez, disse claramente que Deus nunca foi visto por ninguém, prestem atenção, ele disse ninguém! (Jo 1:18)
Acham mesmo que vivendo em um planeta que é apenas o átomo de uma célula dentro de um organismo cósmico infinito e complexo teríamos condições de explicar tudo isso? 

Vocês acham que formiga consegue enxergar e compreender o elefante? Não meus amigos, as formigas são surdas e quase cegas, se comunicam e se orientam pelo odor.

Krishna ensinava: “Só Deus pode conhecer Deus, por que só o infinito pode conhecer o infinito” Está na hora de conhecermos a nós mesmos e pararmos de dar ouvidos aos pretensos iluminados que dizem: Deus é isso, Deus é aquilo... eles não entendem nada! Como ninguém entende ainda, nem o que é Deus e nem o que somos, porque de fato, nem mesmo o que somos pode ainda ser compreendido. Sejamos cadeiras apenas por enquanto. 

Entendem agora por que a humildade é um bem tão precioso?

O invés de tentar elevar-se pela arrogância o homem deveria ser mais humilde e recolher-se à própria insignificância, deixar de gastar tanta energia com aquilo que está fora da sua alçada evolutiva. Por que vocês acham que Buddha nunca falou em Deus?

Seria muito mais inteligente de nossa parte buscarmos uma transformação que promova condições necessárias para que estágios mais avançados de consciência possam manifestar-se. 

Enquanto vivermos sob a égide dos próprios medos, continuaremos sofrendo. 

Enquanto vivermos na expectativa de um guru qualquer para nos explicar essas coisas, estaremos sendo reféns da própria cegueira. 

Melhor seria, por enquanto, para o homem, acreditar que é o próprio Deus, pelo menos desta forma estaria olhando para si e deixando a devoção de lado. Quem sabe não seria um atalho para manifestar poderes que ainda desconhece.

Lembre-se do Nazareno, aquele que poderia sim, ser considerado um verdadeiro messias: 

"Sois Deuses, tudo aquilo que eu faço vocês farão... e mais"


Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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