sexta-feira, 19 de julho de 2019

É preciso aprender a amar!



Poucos, infelizmente, conhecem a diferença entre gostar e amar. Até aquele que pensam que amam, na verdade, não amam, apenas são movidos por paixões. 

O amor, nas palavras de Paulo, não busca os seus próprios interesses. O homem que tenta possuir o objeto que supostamente ama, simplesmente não ama, apenas está dando azo aos seus desejos. Todas as vezes que tentamos possuir algo ou alguém, sob o pretexto de amá-los, estamos incorrendo no erro da posse, querendo que o outro preencha o vazio que é nosso e deve ser preenchido com a própria consciência.

Tratar o outro como uma propriedade, exigindo que ele se torne uma extensão do nosso próprio ser, é egoísmo e não há outra palavra para isso.

Uma vez perguntaram a Buda qual era a diferença entre amar e gostar. Buda deu o exemplo da flor: "Quando você gosta de uma flor, quer apenas colhê-la. Mas, quando você a ama, quer regá-la diariamente. Aquele que entender isso, compreenderá a vida".

Estamos em um nível primitivo de compreensão da dinâmica que envolve os relacionamentos, ainda tratamos o outro como um objeto, querendo possuí-lo, direcioná-lo, enquadrá-lo dentro de parâmetros que são nossos e que nos deixam confortáveis, afinal, o objetivo do outro é nos trazer algum tipo de prazer, pois é isso que esperamos dele. 

Os outros precisam interpretar o que nós, como diretores do filme, lhes demos. Não aceitaremos improviso, não toleraremos mudanças no roteiro, afinal, o filme é nosso, tudo foi idealizado por nós, para atender às nossas necessidades e não aceitaremos quaisquer transgressões. 

Percebem o tamanho dessa insensatez?

É preciso entender que amar, como no caso da flor, é cuidar, permitir que ela floresça e manifeste a sua própria natureza. Querer que o outro resolva demandas internas nossas é pura projeção. O outro não deve ter funções dentro da gente, muito menos em nossas vidas, o outro sempre vai estar envolvido com os seus próprios interesses, nada pode ser mais legítimo do que isso!

O amor é aquilo que existe divino em nós, é a nossa essência, revela-se como a ‘substância’ do nosso Verdadeiro Eu: somos amor!

Se Deus é amor, como está escrito em João, somos amor também, pois o nosso DNA é divino. Como pode um jacaré parir uma girafa? Não pode! Portanto, se somos filhos de Deus, somos Deuses e pronto. Filho de peixe peixinho é, filho de Deus deusinho É. 

Nossa Verdadeira Natureza é o amor, aprender a amar é manifestá-la. Enquanto confundirmos o amor com desejos, estaremos distantes dessa compreensão. 

Existem aqueles que querem possuir e aqueles que se deixam possuir. Essa realidade doentia nas relações humanas ainda se faz presente nesse estágio em que nos encontramos. Só expandindo a consciência além do mundo das formas, através de um pensamento sistêmico, poderia mudar esse quadro. 

Ninguém é de ninguém, nunca foi e nunca será! Isso que assistimos em nossa civilização é uma forma sutil de escravidão, está muito longe de ser chamado de amor. O amor liberta, não sufoca, não manipula, ele simplesmente É.





Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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