sexta-feira, 19 de julho de 2019

Gentileza gera gentileza


Gentileza gera gentileza!

Essa frase foi repetida à exaustão por José Datrino, o Profeta Gentileza. Tratado por alguns como um louco, ele viveu muitos anos de sua vida na zona portuária do Rio de Janeiro repetindo esse mantra. Deixou inscrições peculiares em muros e pilastras, especialmente na Avenida Brasil e morreu em 1996.
Sua história foi cantada por Gonzaguinha e mais recentemente por Marisa Monte. Comoveu a muitos com a sua renitência em focar esse tema: a gentileza.

Deveríamos perguntar o que nos impede de sermos gentis. Estamos cientes de que recebemos do Universo aquilo que damos, sabemos que toda ação cria uma reação, entendemos que toda experiência se articula dentro deste binômio: causa e consequência; no entanto, persistimos no mau humor, na truculência, na agressividade e no desprezo. Agimos como tolos inconsequentes sem percebermos que estamos, o tempo todo, serrando o próprio galho; deixamos que as nossas inclinações mais primitivas nos controlem e quando somos gentis, raramente, somos sinceros; quase sempre, acionamos máscaras que se ajustam às mais variadas convenções.
O curioso é que não deveria haver tanto esforço para conquistarmos essa virtude. Se nossa essência é perfeita a gentileza, portanto, é o estado natural de nosso Ser. O que nos impede de sermos gentis? Simplesmente o fato de vivermos distantes de nossa própria essência.

É preciso compreender que só é possível agir dessa forma elevada quando estivermos conscientes dos nossos atos, quando nossas atividades contarem com a nossa presença (o que raramente acontece) ou quando passarmos a observar os pensamentos e as atividades do cotidiano sem nos envolvermos tão intensamente com o evento. 
Quando deixamos a vida correndo no piloto automático, sob gestão da mente, o resultado é sempre negativo. A mente não é nada gentil, ela tem outras preocupações, precisa buscar o prazer, precisa criar adequações confortáveis, adora competir, deseja sempre algo; portanto, seu maior aliado não é a Consciência, mas o ego.

Se deixássemos a Consciência assumir o controle de nossas atividades, podem estar certos que todos os nossos gestos seriam da mais pura gentileza. O problema é que permitimos que ela exista apenas como uma observadora passiva, uma instância que foi desprezada pelo personagem que tentamos realizar, por isso, o presente (morada do nosso Eu Real) raramente é tratado com importância, pois todos os nossos esforços estão concentrados no futuro, no mundo que estamos idealizando ou nas preocupações e anseios que são tão comuns àqueles que se divorciam de si mesmo.

A verdadeira gentileza apenas consolida o estado de paz e iluminação que o ser humano pode alcançar quando olha para dentro de si e descobre a realidade. Aquele tipo de virtude que pode ser desenvolvida através de uma disciplina voltada para o verniz social nunca será verdadeira. Boas maneiras são sempre bem-vindas, no entanto, é imprescindível que façam parte da natureza do ser, que não seja apenas algo técnico, muitas vezes usado como recurso de autopromoção. Infelizmente, atrás de muitos sorrisos e gestos simpáticos escondem-se interesses pérfidos e desejos insanos.

A gentileza é apenas um atributo da estrutura perfeita que sustenta a natureza humana. Ser gentil é estar consigo mesmo, presente, inteiro, consciente que não há nada para ser alcançado, nada para ser conquistado, pois, em que pese essa premissa, não podemos desejar mais nada já tendo tudo e não é necessário buscar uma condição de perfeição se somos perfeitos. Basta acordar!

O que tenho percebido, nos estudos que faço do comportamento humano, é que quanto mais desprendida, livre de expectativas, encaixada na própria realidade e resignada com a vida, a pessoa estiver, mais ela será gentil e o oposto se aplica àqueles que esperam sempre mais, principalmente, os que não aceitam a própria condição.

Quem se elevar será rebaixado. É esse o ponto! Não deveríamos nos preocupar em viver assoprando esse balão, inflando a personalidade ou vivermos lutando para promover uma personagem que não existe. Estamos em um palco atuando, passando por experiências, nada disto é real. A Consciência, realidade suprema do nosso ser, instância eterna e perfeita, não é o ator, mas o espectador.

Não é preciso ser gentil, basta ser você mesmo. Você já é a própria gentileza. Lembre-se sempre do Profeta:

Gentileza gera gentileza. Tudo começa e acaba em você mesmo.





Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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