Meditação do coração - Método Atisha



Atiśa Dipamkara Shrijnana (982-1054) foi um mestre de meditação budista indiano que participou de forma decisiva na reintrodução do Budismo no Tibete após o seu quase desaparecimento sob o reinado de Langdharma. Era um monge de muita erudição. 

Atisha criou um método absolutamente transformador de meditação, de autoaplicação e proativo. Uma técnica capaz de remover cargas energéticas dos conteúdos psíquicos mais incômodos, ensinou aos seus discípulos como se livrarem da raiva, da angústia, da insegurança, do medo, da culpa e uma infinidade de patologias emocionais. 

Mostrou que somos escravos de todo esse material que acumulamos no inconsciente, pois essa estrutura complexa se lança como uma verdadeira pedra no caminho do nosso despertar. Tudo isso através de um método de meditação. 

Antes de explicar o processo, façamos um parênteses no estudo da mente, pois todo ser humano constrói a sua noção de realidade através de seu aparelho mental. O mundo, para cada pessoa, é único, pois cada um o enxerga de forma distinta, cada ser vivente cria significados específicos para os eventos que experiencia, seja com a indiferença ou, até mesmo, com extremo envolvimento emocional. 

Desta forma, para avançarmos no Caminho da Luz, necessariamente teremos que ajustar esse aparelho, pois não há como entrarmos nas ‘bodas do filho de Deus’ sem as vestes nupciais necessárias. Precisamos de uma mente ajustada e não há como livrar-se da sua influência sem domá-la, por isso, é que os esforços precisam ser empreendidos.

O homem ainda não compreende que não é ele quem vive no mundo, mas o mundo que vive dentro dele e quando compreender isso, verá que tudo aquilo que pesa sobre si não é nada mais do que registros do passado, um monturo de informações que permanece vivo em função de suas respectivas cargas afetivas.

O Yogue Vivekananda, discípulo de Ramakrishna, referia-se à mente como um macaco bêbado, mordido por algum escorpião e pegando fogo. Livrar-se da mente -objetivo daqueles que buscam a transcendência- pressupõe apagar o fogo do desejo, extrair o veneno da raiva e retirar o álcool dos temores; só assim, teremos melhores condições de, posteriormente, eliminar o próprio macaco. 

O método de Atisha, por isso, é muito eficaz justamente por que atua na dissolução destes elementos que nos prendem no plano mental, pois nos coloca diante de conteúdos emocionais negativos (não gosto desta palavra) de forma imperiosa, exercendo apenas a confiança do poder que temos. Poder esse que quase sempre desconhecemos possuir.

O método, portanto, consiste em usar a capacidade mágica do coração na transmutação de todas as emoções pesadas que são responsáveis pelo nosso sofrer. O plexo cardíaco possui um chakra (Anahata) que quando aberto e estável tem o poder de transmutar as energias desconfortáveis que se instalaram em nosso psiquismo, pois uma de suas principais funções é lidar com as energias pesadas dos chakras inferiores, portanto, ele já desempenha funções renovadoras.

Diante dessa premissa, a técnica consiste em visualizar e concentrar toda a miséria e todo sofrimento da mundo no coração enquanto inspiramos profunda e lentamente. 

Depois de inspirar, basta reter o ar nos pulmões, concentrando-se nas energias que represamos e durante essa retenção, devemos usar todo o poder transformador do Anahata Chakra para mudar a natureza dessas energias - como se estivéssemos promovendo uma inversão de spins. Nesse processo, pode-se pensar na cor violeta ou rosa ou até mesmo imaginar espirais movimentando esses elementos enquanto se transmutam. 

Ao expirar, imagine que essas energias que estão sendo eliminadas na expiração são flores, ou quaisquer outras formas que possam estar representando a bondade o amor e a beleza, ou seja, tudo aquilo que você acumulou no coração, depois de transformado, é devolvido ao Universo em forma de oferenda.

Pratique essa meditação de forma disciplinada, diariamente. Reserve, ao menos, dez minutos por dia e você obterá resultados bastante expressivos.

Esse método já havia sido ensinado por Osho, mas tratei de incrementá-lo a partir das minhas próprias experiências. Trata-se, portanto, de mais um recurso importante no enfrentamento das própria angústias.

Para sair da escravidão da mente é preciso minar as suas forças, até conseguirmos perceber que nada daquilo que entendíamos como realidade era, de fato, real. Apenas informações imantadas.

Om.




Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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