Não existe você!



Fale-me de você, diga-me quem é você, mas antes, devo dizer que existem algumas condições para essa resposta, por exemplo: não quero saber o seu nome, nem a sua profissão; não estou nem um pouco interessado nos seus sonhos, muito menos nos seus desejos; não me mostre nenhum documento ou foto, nada de registros ou diplomas, não quero saber quem são os seus pais ou parentes, não quero ouvir testemunho de amigos e nem me interesso por aquilo que você produziu até agora no mundo ou quais são as suas habilidades.
Pense bem, reserve alguns instantes para isso. O que sobrou?
Muito pouco não é mesmo? Aquilo que sobrou é o que você verdadeiramente é, simples assim. Não existe um ‘você’ que possa ser representado; simplesmente por que você não é um representação, você é aquele que assiste todas as representações, você é o espectador e não um personagem qualquer. O mundo acontece para você, pois você é o Sujeito, todo o resto é apenas o objeto.

O grande filósofo alemão, Arthur Schopenhauer, talvez tenha sido o mais lúcido de todos os pensadores modernos, justamente por ter percebido que só existem duas instâncias no Universo. Uma é o Sujeito e a outra o objeto. Ele deu a ambos o nome de Vontade e representação. Não é segredo que esse grande pensador bebeu na fonte do budismo, do advaita e de antigas tradições do pensamento oriental, no entanto, merece reverências pela coragem de enfrentar o paradigma judaico-cristão e apresentar uma nova perspectiva para a realidade.

Você não pode ser representado, uma vez que você não é um personagem participando de uma trama, vivendo dentro de uma pretensa realidade, você é uma testemunha, você é aquele que está sentado na poltrona, assistindo o espetáculo. Você só veio a esse mundo, parafraseando Jesus, para dar um testemunho da verdade, ou seja, você não veio participar, você veio assistir.
Todo o problema começa quando você tenta participar, mudar, lutar, transgredir e reagir ao espetáculo. Recolha-se a condição de mero espectador e deixe o espetáculo acontecer.
Você jamais conseguirá se definir usando elementos temporais e impermanentes, pois tudo aquilo com o que você se identifica é ilusório.
Esse falso eu é insignificante, barulhento, pretensioso e presunçoso. Esse falso eu, também conhecido por ego, ahankara, não atman, eu inferior, etc., não é você, pois ele pode ser definido, você não.

Nada daquilo que possa defini-lo é verdadeiro, simplesmente, por que não se pode definir o infinito; o infinito que você é.

Se você está em busca de definições, primeiro descubra quem é aquele que busca. Esteja certo que a decepção será enorme ao perceber que não existe um buscador, apenas uma busca. Procure o ego e ele, naturalmente, irá desaparecer.

Não há o que você possa fazer, pois o segredo é, justamente, parar de fazer o que quer que você esteja fazendo.

Fique em silêncio e observe, as respostas virão.



Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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