sexta-feira, 19 de julho de 2019

O desinteresse que liberta

Se você esperar alguma recompensa por ser uma pessoa boa é por que você não é uma pessoa boa. 

Pessoas boas não fazem o bem esperando recompensas, elas não se interessam por holofotes e nem buscam qualquer ascendência através de seus atos. 

Pessoas assim compreendem que a Vida já é uma dádiva, pois entendem-na eterna, perfeita e plena de êxtase, por isso existem aqueles que são vitoriosos por realizarem os seus desejos e aqueles que são realizados por não desejarem nada. 

Se você quer ser recompensado por sua ações e trata como ingratos aqueles que não expressam devoção, admiração ou respeito desejados é por ser ainda uma pessoa carente, vazia e cheia de demandas internas. Você Precisa ser preenchido, precisa de recompensas constantes, necessita de afeto, ou melhor, precisa ser afetado para sentir-se vivo, pois desconhece a Vida Plena que alimenta a própria Consciência. Sem perceber, aje como se fosse um cadáver ambulante, um verdadeiro zumbi em busca de algo que possa nutri-lo. 

Aqueles que ajudam é quem deveriam agradecer, pois estão diante de oportunidades de crescimento. Serão sempre eles os maiores privilegiados, pois a lógica Universal é sempre reativa: é dando que se recebe. 

Uma ação desinteressada nos privilegia principalmente pelo exercício do desapego. Sem nos desapegarmos desse mundo fica impossível transcendê-lo e isso é algo óbvio: estaremos eternamente presos àquilo que valorizarmos. 

É comum ouvirmos que o elogio é um bem para alma, mentira! O elogio só faz bem ao ego, é um entorpecente danoso que ajuda o elogiado a inflar-se e sentir-se cada vez mais identificado com esse falso eu que precisa ser destruído. Sentir-se importante, querido, admirado, etc., é não perceber que está dormindo. Livre-se destas necessidades infantis e acorde para vida, a Verdadeira Vida. 

Jesus nos ensinou que a mão esquerda não deve saber o que faz a direita, só essa máxima já seria suficiente para expor esse conceito. Por que não seguimos essa trilha? 

Não seguimos em razão da cegueira provocada por todas essas cortinas ilusórias que nos impedem de enxergar uma simples Verdade: não há o melhorar, evoluir, conquistar ou desenvolver em nós mesmos, apenas nos livrarmos daquilo que nos escraviza. 

Deveríamos, portanto, valorizarmos apenas as nossas perdas. Só aquilo que perdemos pode nos libertar. É preciso perder o apreço que temos pelas nossas certezas, pelos bens materiais, por desejos doentios e até mesmo pelo apego às pessoas. 

Estamos aqui apenas para abrirmos as portas. Se os convidados vão nos cumprimentar ou nos agredir ao adentrarem em nossas vidas, tanto faz, não estamos aqui pelos convidados, estamos aqui por nós mesmos. 



Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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