sexta-feira, 19 de julho de 2019

O homem natural e o homem normal




O homem não vive integrado com a Natureza como nos primórdios do seu surgimento. Muitos mitos da antiguidade, entre eles o da Expulsão do Paraíso, demonstram uma profunda cisão entre o Ser Humano e o Todo, como se estivéssemos, realmente, sendo expulsos da Casa do Pai. Essa separação é marcada pelo desenvolvimento do Ego, ou como querem os cientistas, pelo surgimento do neocórtex - uma área do cérebro responsável pela faculdade da razão.

Desde esse instante, deixamos de viver de forma integrativa e nos tornamos duais e a partir disso, começamos a viver experiências dolorosas para nos organizarmos dentro de normas e regras que seriam necessárias para a nossa sobrevivência. 

Deixamos de ser naturais e nos tornamos "normais".

O "homem normal" é aquele que vive dentro de um ambiente artificial de modelos e obrigações, totalmente inconsciente da própria Natureza Espiritual, orientado por preocupações, medos e obsessões, escravo da própria ignorância e manipulado por sistemas que se organizam ao seu redor. Jean Yves Leloup nos ensina que normal é aquele segue as normas.

Serve como consolo para esse homem, o fato de existir em sua essência um outro ser, com uma consciência poderosa, incontaminável e indestrutível; aquele que chamaremos de "Homem Natural". Trata-se simplesmente da Centelha Divina, o Self, o Expectador, aquele que se manifesta através da intuição, dos "insights", dos sonhos, aquela voz interior que nos adverte a respeito da melhor decisão a ser tomada; muitas vezes negligenciada e desprezada pela razão (ego). 

Essa voz é o nosso Cristo Pessoal, o nosso Eu Superior, a instância que observa e espera o desenrolar dos novelos psíquicos em que nos envolvemos para um dia poder manifestar-se em toda a sua plenitude.

O Homem Natural está conectado com o Todo, em contrapartida, o homem normal com o mundo material.


Esse homem escravo do mundo, vive em luta contra o passado, em pé de guerra com as culpas, arrependimentos, remorsos, frustrações, desejos, indignidades, enfim, com todos os registros afetivos e emocionais que suas experiências mundanas foram capazes de criar. Enquanto o homem Natural é a representação da Consciência, o homem normal é representado por medo.

O Homem Natural, embora a grande maioria da humanidade não perceba, está sentado no trono do nosso Ser; observando e determinando os meios de expandir a consciência, para que, através desta expansão o homem normal, que vive na escuridão, deixe de criar problemas para si mesmo e se renda, prostrado de joelhos diante do Grande Imperador da alma: o seu Eu verdadeiro.

Para isso, o Homem Natural, esse Imperador, não abre mão da força, da violência, da impiedade, pois sabe que o melhor para o homem normal é sofrer. O sofrimento é uma das armas usadas para dissolver essa cortina de ilusões criadas por ele.


Através da meditação, da oração, de mantras, etc... o homem normal perde forças e o Homem Natural se manifesta.

O homem normal é representado, por exemplo, por Zaqueu, o publicano que subiu na árvore, colocando-se acima dos outros homens, talvez uma clara representação do orgulho e da vaidade que homem normal comumente faz uso para elevar-se perante os outros.

O homem Natural é representado por Jesus, aquele que pediu para que ele descesse, diminuísse o tamanho desta personalidade egocêntrica criada e se colocasse na mesma altura do próprio Espirito.


O resultado é a afirmação de que a Salvação entrou naquela casa, ou seja, naquele Ser.


Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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