sexta-feira, 19 de julho de 2019

O medo do vazio



Por que estamos aqui? O que nos trouxe ao mundo? Qual é o objetivo dessa experiência? Você já se perguntou? Claro que sim, todos nós fazemos essas perguntas. Como não encontramos respostas nos deparamos com o vazio (ignorância) e esse vazio é assustador. Ele realmente nos causa medo e o medo cria mecanismos de fuga, nesse sentido, procuramos nos agarrar a conceitos que nos deem segurança, pois estando nesse oceano sem saber nadar, qualquer tábua que estiver boiando irá servir, com isso, criamos um sistema de crenças que é a matriz de toda a nossa personalidade. Cada indivíduo nesse mundo acaba sendo o resultado das tábuas que agarrou, justamente, por temer o oceano.

Por desconhecermos a nossa capacidade de explorá-lo criamos um porto seguro na mente, refugiamo-nos em construtos mentais e passamos a viver a vida de um personagem. 

Esse breve enunciado da condição humana apenas nos revela que no momento que compreendermos que não somos a mente, não há muito o que compreender. Esse é o objetivo principal: entender que não somos a mente. 

Por estarmos em um corpo físico, precisamos de um nome, de uma identidade, mas o nome dado a esse corpo não pode encerrar o entendimento da nossa Verdadeira Natureza, pois o próprio vazio, que tanto nos assusta, também faz parte do nosso ser. Devemos explorá-lo ao invés de negá-lo, devemos enfrentá-lo ao invés de fugir. Vale a pena citar Dostoiévski: 

“Somos assim : sonhamos o voo mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram”.   

Estamos, portanto, presos às nossas certezas, escravos de conclusões que funcionam para nos manter seguros, orientados por regras, padrões, modelos e uma infinidade de ilusões que ajudaram a construir essa matrix em que vivemos. Sem perceber, adormecemos. Estamos, ao mesmo tempo distantes e pertos de nós mesmos. Sonhando com a liberdade, mas com medo de nos libertarmos e o que é pior: temos dificuldade de aceitar discursos libertários, pois somos conservadores e covardes, queremos todos os pássaros presos nessa mesma gaiola, com isso, condenamos comportamentos espontâneos e criativos, olhamos com repulsa para aqueles que não querem ajustar-se a essa prisão. 

Esse mundo de ilusões ou mundo de Maya como ensinam os hinduístas, só poderá ser dissolvido quando olharmos para o vazio, quando mergulharmos nesse oceano que é nosso inconsciente, quando nos tornamos conscientes dos conteúdos que nos assustam, pois enquanto vivermos em fuga de nós mesmos, agarrando-se a conceitos, estaremos imersos em outro oceano: o oceano mental. 

É preciso contemplar-se, sem medo, colocar-se como espectador de si mesmo, ouvir a voz interior, estabelecer um diálogo com a própria alma e não afetar-se com a nada, pois nada pode nos destruir uma vez que somos, por natureza: existência, consciência e êxtase. 

Comece mudando os conceitos negativos de si mesmo, destrua as convicções de fraqueza e impotência que o transformaram em um fugitivo e faça esse bom combate.





Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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