O que é o medo?




O medo é o maior obstáculo para a nossa felicidade. O medo é um sentimento tão complexo que poderíamos tratá-lo como a matéria-prima usada no desenvolvimento de todos os hábitos negativos que habitam a sombra do nosso ser. Todo desvio de personalidade é resultado das construções empreendidas por ele. São os nossos temores que determinam comportamento, são eles que atuam na construção da nossa personalidade.

O psiquiatra cubano Emílio Mira Y Lopes, concluiu em seus estudos que por detrás da cortina de todo o desconforto humano, esconde-se a figura assustadora do medo e ele apresenta-se de inúmeras formas, pois se manifesta usando numerosas máscaras. Nossos vícios e inclinações negativas foram elaborados através de sua influência direta; desta forma, o orgulho, é uma máscara do medo, a vaidade é uma máscara do medo, a ambição é uma máscara do medo, a luxúria é uma máscara do medo, assim como, a timidez, a arrogância, a indiferença, o egoísmo, a inveja, enfim, tudo aquilo que se consolida em termos de comportamento destrutivo em nossa vida é apenas um desdobramento do medo.

Todos concordam que uma pessoa tímida é tímida por ter medo de se expor; uma pessoa vaidosa por ter medo da avaliação que possam fazer de sua imagem; uma pessoa invejosa pelo medo ser inferiorizada; uma pessoa egoísta teme o desconforto de carências e assim por diante. Todos esses vícios mentais são filhos deste gigante da alma.

O medo é apenas um sentimento negativo e, assim como os números negativos na matemática, ele existe apenas para sinalizar de forma subjetiva uma ausência. Eu não posso dar menos duas maçãs para alguém, simplesmente pelo fato disto ser impossível, da mesma forma, o espaço provocado pela falta de informações, transforma-se em um território dominado pelo medo.

O que poderia ocupar esse espaço onde predominam nossos temores? O que poderia iluminar as penumbras de nossa alma? Simplesmente, alguma informação; é justamente a falta de informações que cria toda a insegurança, provoca preocupações, ansiedades e muitas outras mazelas. Estando informado através do conhecimento, qualquer ação destrutiva deixa de fazer sentido. 

O medo, portanto, é apenas ausência de conhecimento. Só tememos aquilo que desconhecemos. Essa falta de luz responde por nossas escolhas e reações infelizes, uma vez conscientes da realidade, nenhuma ilusão terá o poder de nos oprimir. O Mestre Jesus postulava: ‘Conhecerás a Verdade e a Verdade vos libertará’, de fato, não há nada que nos aprisione mais do que a falta de informações, apenas a luz do conhecimento poderá dirimir as trevas da ignorância que se lançam como responsáveis pelo desenvolvimento dos mais variados vícios mentais. O manto negro do medo abre perspectivas para comportamentos funestos e reações intempestivas.

Entretanto, apenas o conhecimento intelectual não é suficiente para que uma nova postura se apresente e para que hajam mudanças significativas no comportamento humano. Será necessário que esse conhecimento alcance níveis mais profundos no psiquismo, será preciso transformá-lo em compreensão; ou seja, não basta conhecer, é preciso compreender, e apenas através da confiança (fé) nestas novas informações, será possível destronar os conceitos, valores e, principalmente, os vícios de personalidade que se formaram no caráter do indivíduo através destes mecanismos já citados.

Melhor dizendo, o uso do cachimbo deixou a boca torta, portanto, haverá um trabalho de descondicionamento que será gradativo e exigirá muita perseverança, entretanto, nada acontece sem o elemento da fé, a fé será o primeiro passo desta caminhada, apenas dando importância às novas proposições, estando receptivo a novas verdades é que o conhecer irá transformar-se em compreender.

Vejam que o fluxograma é claro: conhecer, acreditar, compreender e lutar contra as inclinações instaladas no comportamento.

O medo é representação das trevas, enquanto o conhecimento representa a luz. Nunca houve uma guerra entre as trevas e luz, pois só existe a luz, o medo é apenas ausência dela. Julgar e condenar as pessoas por estarem apresentando um comportamento reprovável é o mesmo que execrar uma criança por não conhecer fórmulas matemáticas. Cada pessoa esboça um nível de conhecimento e se orienta pelas construções mentais ajustadas ao seu nível de informações. Portanto, a melhor forma de lidar com o próximo ainda é através do amor incondicional, entendendo que os equívocos de hoje serão superados através da luz de novas verdades.


Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

Comentários

Últimos artigos

Captação Psíquica

Desperte o Leão que existe em você

Plenitude

Aprenda a calar a boca!