Preconceitos


Nenhuma palavra sofreu uma carga pejorativa tão intensa quanto o preconceito. Ninguém assume os seus preconceitos, pois o significado desse termo tem sido restringido ao que existe de mais nefasto nas relações humanas; no entanto, todos nós somos preconceituosos, de uma forma ou de outra. 

O ser humano age e reage através de condicionamentos que são respostas emocionais geradas a partir dos conceitos que escolheu adotar na vida. A reação de uma pessoa na presença de um padre será diferente daquela que irá expressar diante de um delegado de polícia, ou de um morador de rua. As reações mudam de acordo com os conceitos estruturados no programa mental de cada pessoa, portanto, está claro que somos preconceituosos. Temos reações diferentes perante os mais diversos encontros de corpos. Cada pessoa aciona diferentes sensações em nós, sejam elas boas ou ruins. 

A formação de um caráter ocorre através da educação. Os pais, desde cedo, mostram aos filhos o que é certo e o que é errado, apresentam o outro, muitas vezes, como uma ameaça, da qual eles precisam se defender. 

As religiões, as escolas, a vida em sociedade, enfim todas as instituições sociais trabalham para a construção de uma personalidade. O resultado de tudo isso é mais ou menos o que Rousseau preconizava no livro “O bom selvagem”: o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. 

Os conceitos rapidamente transformam-se em certezas que, por sua vez, criam características da nossa personalidade. Essas certezas representam o cárcere que aprisiona toda a humanidade dentro de um mundo de ilusões. Para sair dessa gaiola de ouro será necessário desconstruir, portanto, todos os conceitos que escolhemos abraçar e voltar a ser criança. 

As crianças, quando não programadas, conseguem se relacionar da mesma forma simples e singela com quem quer que seja. Tanto faz se é rico, pobre, gay, hetero, religioso, ateu, polícia, médico etc. Justamente por isso foram usadas como exemplo a ser seguido pelo Mestre Jesus. 

Na verdade, o Nazareno não compactuava com nenhuma forma de preconceito. Ele conversava com mulheres, soldados, doutores da lei, publicanos, pescadores, aleijados, cegos, reis e todos tipos psicológicos com a mesma postura amorosa. 

Livrar-se de preconceitos, sejam eles quais forem, portanto, é uma necessidade para aqueles que buscam a ascensão. Aquilo que chamamos de ego, na verdade, é um construto mental de conceitos, certezas, modelos, normas, padrões, enfim, de arquivos de um programa. Isso quer dizer que somos todos programados, deixamos de expressar a nossa verdadeira natureza para nos tornarmos androides. 

Carl Gustav Jung dizia que nascemos únicos e nos tornamos cópias e ele tinha razão. A vida humana na Terra tem sido uma experiência triste. Estamos todos na mesma plataforma de uma linha de montagem, recebendo a peças necessárias para nos tornarmos normais. 

Está cada vez mais claro que o verdadeiro caminho a ser seguido não é continuar nos intoxicando de conteúdos no afã de continuarmos aprendemos. Na verdade, precisamos desaprender. A descoberta da nossa Verdadeira Natureza passa pela desconstrução de toda essa programação. 




Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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