sexta-feira, 19 de julho de 2019

Somos todos iguais


É impressionante como aqueles que ainda não estão prontos para despertar são justamente os mesmos que defendem com a própria vida o sistema que os escravizam. No filme do diretor Quentin Tarantino, Django Livre, o mordomo negro, criado na casa grande, é justamente quem reage com maior indignação e preconceito racista diante do negro liberto que é recebido pelo seu dono como hóspede, demonstrando o quanto o sistema conseguiu programá-lo.

Estamos em um período de grandes conflitos, onde aqueles que expandem a consciência e conseguem enxergar a realidade de forma sistêmica, muitas vezes, revoltam-se com as dificuldades daqueles que ainda se prendem a velhos padrões lineares e cartesianos de pensamento. Desta forma, trincheiras são criadas, ideologias são abraçadas e a possibilidade de encontrarmos soluções fraternas para as contendas que se apresentam ficam cada vez mais distantes.

É preciso entender que a manga só cai do pé quando está madura, isso é fato, portanto, não devemos interferir no processo de maturação de uma consciência, pois essa tarefa pertence à própria Natureza e não ao homem. É preciso deixar o Universo agir e aqueles que conseguiram sair da caverna deverão ser muito compreensivos com aqueles que não estão prontos e resolveram permanecer nas sombras da ilusão em que sempre viveram.

A Lei de Sociedade é uma Lei Natural, faz parte da ordem cósmica. Os mais adiantados são constrangidos a viver com os mais atrasados com o intuito de servirem de exemplo e referência. Trazem prerrogativas de auxílio, amparo e orientação, para mostrar o caminho e não impor conceitos à força. Devem usar o amor como instrumento de transformação dos que ainda não enxergam a realidade e não insistir em viver entrincheirados para combatê-los ou hostilizá-los.

Não se pode acelerar o rio, a vida tem o seu próprio ritmo e, embora existam boas intenções, não é preciso dizer que o inferno está cheio de pessoas bem intencionadas.

Seja a luz que irá iluminar todos à sua volta e preocupe-se apenas em ser cada vez mais iluminado. Quanto maior for a potência dessa luz, maior será o seu alcance e mais pessoas poderão ser alcançadas por ela. Se você quiser ajudar alguém, ajude a si mesmo. Se quiser mudar alguém mude a si mesmo. Esteja certo que todos irão se beneficiar do seu avanço.
Um dia, todos irão compreender que só podemos ajudar e mudar a nós mesmos, simplesmente porque só existe esse “nós mesmos”, todo o resto é ilusão.

Francisco de Assis dizia: “Para pregar a paz, primeiro você deve ter a paz dentro de você”, portanto, qualquer discurso autoritário, agressivo, voltado para o enquadramento e alinhamento de opiniões ou conduta, é meramente o reflexo da nossa pequenez. Faz parte do velho hábito de querer transformar o outro em nossa imagem e semelhança. Enquanto insistirmos em remover ciscos alheios, não estaremos atentos à trave que existe em nosso olho.

Os verdadeiros gurus se revelam através de seus exemplos e não de suas retóricas. Os verdadeiros revolucionários são aqueles que enfrentam os limites do próprio medo.
Que força teria o discurso de um Tiradentes se ele não tivesse sido enforcado? Como insuflar a coragem no coração de um povo dominado, covarde e combalido se ele mesmo não nos desse um exemplo dessa mesma coragem? 
Aprenda a ser o exemplo daquilo que você quer ver no mundo, aliás, diz o dito popular que um grama de exemplos vale muito mais do que uma tonelada de conselhos.

Somos todos iguais, temos todos o mesmo DNA Divino. Nossa essência é perfeita e reflete a obra de um Grande Artífice, portanto, não devemos nos entregar às ilusões de superioridade, nem nos acharmos especiais pelo fato de compreendermos coisas que a grande maioria ainda não compreende.
Se você conseguiu acordar, isso é maravilhoso, mas respeite os que ainda dormem.




Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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