Torna-te quem tu és


Indivíduo é o mesmo que indiviso, ou seja, aquele que não admite divisão.

Somos indivíduos sim, mas ao mesmo tempo, existe um condomínio de moradores dentro da gente. Convivemos com inúmeros complexos autônomos que residem em nosso mundo interior, são nossas personalidades residuais. Apresentam-se como partes distintas e independentes, com seus estilos e maneirismos próprios. Sei que muitos não acreditam, mas são representadas com os mesmos trejeitos da época em que existiram, portanto, guardam as características daquilo que fomos em vidas passadas.

Temos homens, mulheres, padres, soldados, prostitutas, toda uma multidão de pessoas vivas em nosso mundo interior, interagindo e influenciando o tempo todo nossas decisões e escolhas. 

Elas vivem, ora em conflito e ora em harmonia com o centro organizador de nossos processos psíquicos: o ego. São memórias gravadas em nosso mundo interior sobrevivendo graças aos combustíveis emocionais que as alimentam. Cada evento traumático ou indigesto sobrevive com a força dessas cargas afetivas, bem como: a raiva, o rancor, a indignação, a culpa, e uma série de outras energias pesadas. Aqueles que pregam a morte do ego deveriam ter mais juízo, pois ele é o grande articulador de todos esses conteúdos desarmônicos.

O equilíbrio do ser humano passa pela negociação constante com essas estruturas emocionais. Precisamos negociar o tempo todo com cada um desses personagens, até que seus respectivos coeficientes energéticos sejam esgotados.

Pode parecer complicado tudo isso, até mesmo surreal, mas como seria possível explicar os distúrbios de personalidade que são tão comuns? Quem nunca sentiu vontade de fazer uma determinada coisa, porém, uma força contrária surge para impedir? Quem não buscou o caminho do crescimento e desenvolvimento pessoal, mas sofre com processos inexplicáveis de auto sabotagem? Como explicar mudanças abruptas no comportamento, como se estivéssemos, realmente, passando por uma total alternância de personalidade?

Pois é meus amigos, o ser humano é um bicho complicado mesmo! Sofre por não se conhecer. Acha que todas essas múltiplas personalidades definem o que ele é, mas não, nada disso nos pertence! São apenas memórias turbinadas de cargas afetivas. Não somos os atores deste drama, somos o expectador e esse expectador é indivisível (Si mesmo). Tudo isso é lixo emocional. Acreditem, estamos simplesmente nos identificando com as memórias indigestas que escondemos debaixo do tapete por falta de condições emocionais de enfrenta-las. Empurramos para o inconsciente aquilo que nos incomodava e não estávamos em condições de enfrentar. Não existe ninguém que não seja recalcado.

Nietzsche gritava: “Torna-te quem tu és”.

Na fundo ele tinha razão. É preciso entender que quem realmente somos não deve se confundir com o filme que assistimos em nossa tela mental. Somos eternos, perfeitos, incontamináveis, indestrutíveis, no entanto, vivemos em um monturo de conflitos e angústias. Esquecemos que somos indivíduos e nos misturamos com os registros indigestos do passado.

A individuação, segundo Jung, é um processo de organização de todo esse material psíquico em torno do Si Mesmo. Tornar quem somos é isso: manifestar o Deus que existe dentro de cada um.


Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

Comentários

Últimos artigos

Captação Psíquica

Desperte o Leão que existe em você

Plenitude

Aprenda a calar a boca!