Tudo aquilo a que você resiste, persiste




Há várias maneiras de evitar o incômodo provocado pelas recordações de eventos desagradáveis, afinal, ninguém quer lembrar-se de uma traição sofrida, de uma demissão inesperada que ocasionou a perda de autoestima, dos maus tratos na infância, da humilhação sofrida diante de um grupo de amigos, do pé-na-bunda daquela pessoa amada e assim por diante.

Os infortúnios da existência, de forma sistemática, são prontamente repelidos pela mente, pois a mente é um instrumento que foi elaborado para buscar o prazer. Assim, ela nega o desconforto e projeta idealizações constantes, criando ambientes que nos entorpeçam ou que nos tragam algum tipo de bem-estar. Viver a realidade mental é isso, significa fugirmos de nós mesmos, ostensivamente, construindo psicosferas que ofereçam o conforto necessário para a nossa existência; com isso, negamos aquilo que nos incomoda e mergulhamos em uma realidade virtual.

Infelizmente, não percebemos que estamos psicossomatizando, ou seja, jogando o lixo para debaixo do tapete da alma. É como se escondêssemos algo podre na mochila e vivêssemos nos perfumando para não conviver com o seu cheiro. A triste verdade, dura de se ouvir, é que somos todos covardes, não por opção, talvez por falta de recursos emocionais, assim, não percebemos que o mau cheiro continuará presente, infectando o nosso organismo psicofísico, pois aquilo que pensávamos ter jogado fora, continuará dentro da gente como um fardo a ser carregado.

A ação destes elementos negados será devastadora: primeiro virão os conflitos, criando diversos distúrbios emocionais e afetivos e depois virão as doenças, pois o caminho do corpo é o leito natural por onde todo este substrato psíquico indesejado irá desaguar. Não podemos nos esquecer, também, que o nosso relacionamento com o mundo irá sofrer uma influência constante dos condicionamentos criados por esses elementos indigestos, pois são elementos que se aliam aos nossos medos, por isso, irá criar vícios e distorções em nosso caráter criando profundas inadequações para vivermos em sintonia com a própria Natureza.

O Universo, o tempo todo, empurra-nos para esse campo de batalhas, pois nos quer em pé diante do inimigo. Jamais irá nos desamparar, sempre irá fornecer as armas, por isso, existem tantos desafios em nosso caminho. São estes desafios que nos farão ter consciência das próprias vulnerabilidades e, principalmente, conhecer aquilo que precisamos desenvolver, afinal, este é o propósito da existência: a busca pelo desenvolvimento.

Sempre haverá pessoas difíceis de aturar no caminho, sempre haverá obstáculos a serem ultrapassados, mas existem recursos dentro do próprio ser -embora adormecidos ou subdesenvolvidos- que serão verdadeiros aliados para os mais diversos enfrentamentos. Serão armas poderosas que nos levarão a um outro nível de consciência.

O poder da humildade, da confiança, da alegria, da coragem, da perseverança, da serenidade, da renúncia, entre outros, são recursos que existem na própria essência humana; uma vez acionados, o homem torna-se indestrutível. Ninguém consegue humilhar uma pessoa humilde; não há desânimo que derrube uma pessoa perseverante; não há preocupações que abatam uma pessoa serena etc..

Carl Gustav Jung já nos alertava para tudo isso quando disse: “tudo aquilo que você resiste, persiste”. Percebam que ele já conhecia a dinâmica da mente, já sabia dos mecanismos de fuga e, principalmente, entendia a resistência humana para o auto combate, por isso foi enfático e insofismável.

Ambicionar um paraíso na Terra ou buscar apenas o convívio com pessoas agradáveis que se ajustam à nossa mediocridade é um erro. O Nazareno já havia nos alertado:

"Que mérito vocês terão se amarem aos que os amam? Até os pecadores amam aos que os amam. E que mérito terão se fizerem o bem àqueles que são bons para com vocês? Até os pecadores agem assim. E que mérito terão se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os pecadores emprestam a pecadores, esperando receber devolução integral".

Pois é, meus amigos, nada disso nós fazemos, pelo contrário, seguimos uma cartilha medrosa, oriunda dos instintos mais primitivos; com isso, colocamo-nos como escravos da mente, buscando a felicidade através dos prazeres anestesiantes e ainda nos achamos o máximo.

Para alcançar a iluminação e viver na Realidade Espiritual, será preciso ajustar e transcender a realidade mental. Dessa forma, nossas experiências serão de luta, pois tudo aquilo que foi negado ou recalcado deverá ser enfrentado e ressignificado. Por isso, cada um estará diante da própria saga e, como nos mitos, enfrentará magos, dragões, medusas, minotauros, enfim, lutará contra todos esses inimigos que representam a própria sombra.


Autor: Paulo Tavarez
   
Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

E-mail: paulo.tavarez@cellena.com.br

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