Onde existe humildade não há fragilidade



As pessoas dessa geração são emocionalmente fracas, tudo parece melindrar, qualquer palavra mau colocada transforma-se em agressão e o politicamente correto determina o teor das relações humanas. Onde estão os recursos emocionais de outrora? Por que os exemplos de resiliência dos nossos antepassados não servem de modelo para o cidadão hodierno? Até mesmo a verdade deve ser abafada ou compartilhada com todo o cuidado, pois a fragilidade dessa geração é enorme, muitos não suportam ouvir o óbvio.

As pessoas parecem não possuir um “couro duro” que as permitam ouvir o contraditório, foram muito mimadas e paparicadas. Não sou a favor da violência, da truculência, de maus tratos, mas devo reconhecer que as dificuldades na infância ajudam o indivíduo a adaptar-se muito mais facilmente às intempéries tão comuns da existência. 

A geração dos nossos avós, por exemplo, poderia muito facilmente ser chamada de geração ‘Upa neguinho’. Na canção de Edu Lobo percebemos algo de muito verdadeiro e que era comum naquele tempo: “Upa neguinho começando a andar e já começa a apanhar”. 

Em qualquer época, as dificuldades sempre forjaram as características dos guerreiros, desde a antiga Esparta até as gerações que nos precederam, sempre houve uma educação firme e impositiva e, com isso, a crianças desenvolviam recursos indispensáveis para as suas experiências de vida.

É claro que há exemplos nos dias atuais de pessoas que possuem um nível de flexibilidade e leveza que as permitem suportar duros golpes e continuarem em pé na ringue. São pessoas do bem, que sabem compreender as dificuldades do outro, que não se apegam a própria imagem a ponto de lutar pela manutenção de um verniz ilusório de si mesmo, não estão preocupadas com ranhuras na imagem, na verdade, eles mesmos estão em luta pela desidentificação dessa imagem, sabem exatamente como transformar a sisudez da vida nesse mundo em brincadeira e isso já denota um entendimento grandioso da dinâmica que envolve a condição humana. Tudo isso as tornam pessoas poderosas, capazes de perdoar, de não ofender-se com nada, de tratar o outro com empatia e, principalmente, ajudam-nas a viverem fora de trincheiras ideológicas. 

O homem de bem não julga, não condena, não se ofende, não se afeta, não revida, pelo contrário, esse comportamento é primitivo demais para aqueles que buscam alcançar um estágio mais elevado de consciência. A violência não deve nunca ser adotada, qualquer ação violenta trará prejuízos. 

O mundo estertora na violência em função da fragilidade humana. Indivíduos macambúzios transitam pelo mundo com verdadeiros barris de pólvora dentro da alma e qualquer coisa que os contrariem serve de estopim para explosões inconsequentes. 

Nunca foi tão necessário reafirmar o poder da humildade. Ninguém consegue ofender uma pessoa humilde, apenas os vaidosos, orgulhosos e arrogantes se ofendem. O humilde não luta pela manutenção de valores impermanentes como os da própria imagem, ele já perdeu o interesse por isso. Não se importa mais com avaliações, aprovações e nem está preocupado em corresponder às expectativas de ninguém. 

Onde existe humildade não há fragilidade.




Autor: Paulo Tavarez Terapeuta Holístico, Palestrante, Musico, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define.
Eu sou o que Eu sou!

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