O que o Yoga não é



Yoga significa união. A raiz “jug” da palavra em sânscrito, significa jungir (unir). O propósito do yoga é a união com o Absoluto, a realização, o despertar da Consciência para a nossa Verdadeira Natureza, o fim do pensamento dual, o retorno a Casa do Pai, enfim, é a morte de um falso eu que ainda vive preso em construtos mentais. 

O praticante de yoga não pode ser um indivíduo preocupado apenas com o corpo, mas com essa união. Yoga sendo ensinado em academias é o golpe de misericórdia que faltava para essa prática milenar, pois o corpo nunca foi o objetivo. A prática de asanas conseguiu obscurecer os propósitos elevados desse conhecimento ancestral e reduzir o processo de iluminação a obtenção de um corpo bonito. 

O ocidental ainda é totalmente interessado no corpo, na estética, nas sensações mundanas e não compreende que vive em uma condição consciencial miserável. Parece que ele está em um estágio primitivo demais para supor que existam estados de êxtase que superam quaisquer sensações grosseiras da matéria. 

É claro que é importante conquistar força, equilíbrio e flexibilidade, mas essas conquistas devem apenas servir de base para os objetivos mais elevados dessa busca, pois são apenas os primeiros passos na senda do yoga. Quando o dedo aponta para lua devemos olhar para a lua e não para o dedo. 

Outra coisa que me dói é ver pessoas transformando yoga em profissão, pois não existe contra senso maior. Inúmeras escolas de formação de instrutores de yoga (nenhuma delas reconhecidas oficialmente) oferecem cursos caríssimos para formar profissionais de algo, que talvez, a grande maioria delas não saibam o que é. 

O ocidente conseguiu destruir a figura do guru, pois aqui não existem gurus, existem ‘profissionais’. Pessoas interessadas em comercializar coisas santas, mestres interessados em holofotes, nada mais do que isso. Raros são aqueles que compartilham os seus conhecimentos de forma despretensiosa e poucos fazem o trabalho voluntário de iniciar pessoas na compreensão mais profunda de si mesmo sem querer nada em troca. 

Por todos os lados surgem espaços alinhados com o pensamento oriental oferecendo terapias e cursos para os incautos que, na verdade, precisam apenas de um pouco de orientação. Parece que dentro do universo do yoga é extremamente difícil encontrar aquele que está disposto a dar de graça o que de graça recebeu,

Aqueles que compreendem profundamente os objetivos do yoga jamais deveriam cobrar por isso, pois estão agindo como cobradores de pedágio na estrada da ascensão. 

O ocidental não entendeu ainda o que é o Yoga e por não entender acabou relacionando-se com esse conhecimento com o olhar de alguém encantado, como se estivesse diante de algo exótico. Poucos entendem que estão diante de movimentos transformadores, testemunhando a dança cósmica de Shiva que tem um único objetivo: destruir. Claro, destruir as grades que nos prendem em espaços tão limitados de Consciência.

Buda, Mahavira, Jesus, Shankara, Mitra, Hermes, Ramakrishna e Ramana Maharshi, apenas para citar alguns exemplos de seres iluminados que não transformaram a iniciação em negócio, foram verdadeiros Mestres. Nenhum deles escreveu vendeu livros, montou escolas, criou cursos ou terapias paliativas. Todos eles, de formas distintas, ensinaram o verdadeiro caminho: o caminho da renúncia.

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