A grande farsa da autoestima




O tratamento que você dispensa para os outros deve ser o mesmo que você dispensa para si mesmo, pois não há diferença entre o interior e o exterior. 

Ao relacionar-se com o outro, você estará agindo de acordo com os seus recursos emocionais. Se a pessoa for merecedora de admiração, respeito, carinho ou qualquer outra ação positiva da sua parte, tudo bem, é perfeitamente recomendável que seja assim que você a trate.
No entanto, se for uma mala sem alça, reclamona, chata, insatisfeita com a vida e maledicente, não posso obrigá-lo a dispensar o mesmo tratamento, pois poucos nesse mundo estão nesse estágio de não se afetar com o outro e, possivelmente, você não seria uma dessas raras exceções. Poucos estão em condição de oferecer a outra face, isso é o ideal, mas ainda não é o real.
Se você insistir em conviver com aqueles que lhe desagradam sem estar pronto para isso, esteja certo que estará usando algum tipo de máscara, possivelmente fingindo e interpretando um papel qualquer e, com isso, a situação só piora. Embora precisamos deixar bem claro que Sartre errou ao dizer que o inferno são os outros, pois tudo nasce, cresce e se desenvolve dentro da gente e é justamente dentro da gente que deverá ser destruído.

Falando em ‘dentro da gente’, da mesma maneira como você se relaciona com o mundo lá fora, estará, com certeza, relacionando-se consigo mesmo.

Se você, da mesma forma, for um cara chato, intratável, inconveniente, agressivo, assim por diante, não faz o menor sentido trabalhar a autoestima. Como gostar dessa versão tão censurável de si mesmo? Autoestima, nesse sentido, para quê? Para reforçar uma personalidade tão reprovável quanto essa? Não, meu amigo, ter estima por si mesmo deve ser o último recurso a ser usado. Você não deve nunca gostar de ser assim, pelo contrário, deve detestar-se, deve tornar-se o seu maior inimigo e viver em pé de guerra contra si. Talvez esse seja o significado das palavras de Paulo quando ele disse: “combati o bom combate”. Esse ego inflado precisa descer do sicômoro, esse falso eu deve ser destruído, qualquer ação para tentar salvar essa vida só fará perdê-la. 

A autoestima tem sido prescrita como solução para tudo, desde problemas emocionais até problemas financeiros. 

Se você tem algum problema emocional, saiba que faz parte de um processo natural de crescimento humano, pois o desconforto visa o nosso despertar e não há solução para isso. A você cabe apenas adotar uma postura de aceitação e confiança, entendendo que ações do Universo estão voltadas para o seu melhor, por isso, deve render-se e entregar-se inteiramente à experiência sem a pretensão infantil de querer mudar as coisas. Você precisa entender que toda dor nasce no terreno das nossas fragilidades e apenas superando obstáculos poderemos nos livrar dessas vulnerabilidades.

O problema não muda e nunca irá mudar, o que muda é o nosso olhar e quando olhamos para ele de uma forma mais madura e consciente, não nos afetamos mais. Ou seja, nos afetamos por que temos o mesmo tamanho do problema, no entanto, nós podemos crescer ao passo que o problema não.

Autoestima para conquistar equilíbrio financeiro ou mesmo alcançar uma condição de riqueza é outra besteira. Trate de acordar cedo, antes do galo cantar e trabalhar duro, seguindo a trilha da honestidade e jamais deixar de vigiar-se.

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